Vago

A minha vida é um fardo a qual sou obrigado a levar.
É uma coleção de erros.
A minha vida é um desconexo na linha do tempo. Perdida sem rumo, sem nexo.
O que um dia foi há muito deixei de ser, parada no tênue rabisco que é ser e não crer.
Os passos são lentos, vagarosos, mas não pela cautela e sim pelo cansaço. A cada dia que passa um novo fracasso.
Os rumos que tomei foram dados ao léo. Sem pensamento e sem crítica. Aqueles que um dia chegaram a serem balanceados mostraram-se tão ineficazes quanto àqueles que não pensados. Não há escapatória.
Eu sou o erro na matriz do Universo.
O buraco que fere o buraco negro.
A rachadura no buraco de minhoca que impede o conhecimento de chegar até minha mente.
Minha cabeça. Ela está  roída por dentro. Meu cerébro está derretendo.
Meu corpo, envoltório sem vida, desprovido de vontade ou capacidade é um cofre oco usado pelos outros para aprecio próprio de uma não existente beleza e mais maligna, ainda que despercebida, presença.
Meus olhos não captam a luz, pois atrás deles se escondem as Trevas.
Minhas mãos trêmulas diante de escolhas simples, mas catastróficas, uma vez que as tenho feito.
A decrepitude de minha boca sedenta por um beijo que jamais terei, daquele que jamais irá me querer é o bastante para manter-me calado, frente ao espelho rachado, frente ao espírito maltrado.
Não há para onde correr, fugir, andar. Ficar parado é o que há. À espera de uma salvação que nunca virá.

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