Shandar

com os olhos pequeninos
e os pelos finos
apavorada estava
mas logo se acalmou
em meus braços,
ficou

[de um lado do rosto, preto
do outro branco
mas o medo estava mesclado à carência
estampado no olhar assustado]

mas uma vez que estava alimentada
limpa e calma
em meu peito se acomodou
mas não apenas ali morou
em meu coração criou raízes

seus carinhos de manhã
e também à noite
me acalmaram e me deixaram feliz
o que havia tanto pedido naquele dia
chegou à minha casa, enfim

deus não faz parte de tudo isso
mas o Universo parece agir de forma semelhante
ele me deu um presente
apenas para aprecia-lo, por algum ou quase nenhum
instante






Projeto Nacionais

Oi, povo.

Então, decidi começar esse mês um projeto de leitura de livros de autores nacionais, quero dizer, além dos que eu leio que são mais conhecidos, mas gostaria de dar visão a autores que não são tão conhecidos ou mesmo nada conhecidos como moi.

Vou começar lendo os livros de autores que conheço e tenho contato como a Jéssica Macedo, Thaís Lopes - que fez a capa do meu primeiro bebê *--- - , Thaís Silveira, enfim essas são as que eu conheço, mas só no meu facebook tem milhares de autores que sei que escrevem bem pra caramba e eu gostaria de ter mais tempo e dinheiro pra lê-los. De qualquer forma, bora começar de algum jeito, né, mores.

Deixem sugestões, se quiserem, nos comentários de autores nacionais que vocês acham que eu gostaria de ler. As resenhas vão sair no meu blog de resenhas Conversas de Leitor. 


Blut - Parte IV

Você pode ler as partes I, II e III

***

- Você não está falando sério, Sam! – exclamou Kira ao se dar conta de que a ex-namorada poderia, de fato, estar falando sério. E como ele temia, uma sede descomunal passou a tomar conta de seu ser.
- Nunca falei tão sério na vida, meu amor. Agora seja um bom menino e me ajude.
- Como eu poderia ajudar você? Estou morto, lembra?
- Só até chegarem com a comida, oras.
- Eu não posso acreditar nas coisas que está falando. E não consigo acreditar que você julga Alessa, mas é a mesma criatura que ela. A diferença que ela é melhor.
- Não ouse dizer que aquela coisa é melhor que eu! Eu sou mil vezes melhor.
- Nunca! Você me sequestrou. Se aliou aos inimigos.
- Como pode saber quem é o inimigo? Por acaso sua queridinha não lhe contou a história?
- Que história?
- Sobre você e o que ela realmente quer.
- Do que está falando, Sam? – perguntou Kira, um pouco mais calmo, mas agora definitivamente intrigado.
- Ela só está com você porque irá lhe oferecer como sacríficio para um tal de Pio aí.
- Você é muito ingênua mesmo. O Pio não pode ser o líder. Alessa é por direito. E ela vai conseguir o seu lugar.
- Sim, iria se você ainda fosse um humano.
- Explica.
- Alessa precisava de um humano do qual ela se importasse para oferecer como sacríficio maior para Pio e os regentes da Grande Mansão porque esse ano é o ano da Lua Cheia Vermelha Total que só acontece a cada 300 anos. Quando isso acontece um vampiro pode oferecer à natureza uma vida e em troca a natureza lhe dá algo.
- Tipo o que?
- Ninguém sabe.
- Nossa, que idiotice, Sam. Acha mesmo que a Alessa iria cair nessa história do Pio?  No mínimo, é algum plano dele para matá-la. – disse Kira, levantando-se da cama onde estava sentado, mas não pode andar muito, pois seus calcanhares estavam presos à correntes.
- Claro que não, Kira. Ele me disse. Já aconteceu antes, mas a pessoa que ganhou o presente da natureza morreu em seguida.
- Muito prático.
- Não importa. Você não é mais útil para ela. Agora podemos ser felizes juntos.
- Haha, só que não, né. Primeiro, que se eu não me alimentar de um humano eu morro. Segundo, depois que eu fizer isso vou me encontrar com a Alessa e pensar em como resolver a questão do Pio.
- Kira. Entende, ela não te quer mais.
- Você não sabe disso.
- Tudo bem, então. – concordou, falsamente Sam, pois ela havia ouvido barulhos vindos de fora da casa e soube que os capangas de Pio haviam chegado com a “comida” de Kira. – Vou soltar suas correntes e você me segue. Se tentar fugir eu te mato.
- Quanto amor! – disse Kira, ironicamente.

Quando Sam soltou as correntes que prendiam Kira ele não se mexeu. Ficou aguardando algum movimento da moça. Que sorriu para ele antes de tentar beijá-lo. Kira desviou o rosto e olhou furtivamente para ela, que desdenhou outro sorriso nos lábios maquiados de batom rosa. Em seguida, fez menção de se dirigir à porta do quarto e pediu que Kira o seguisse. Quando chegaram à sala, uma mulher jazia adormecida, quase morta, no sofá de três lugares e ao seu lado, dois homens altos e fortes estavam prostrados como duas estátuas.
- Kira, você sabe o que fazer.
Kira não disse nada. Apenas sentiu seu coração bater mais rápido e sua jugular pulsou com força. Seus olhos ficaram vermelhos e ao redor deles veias surgiram. Ele tentou lutar contra o instinto predador, pois não queria tirar a vida da pobre e inocente moça que adormecia no sofá. Mas ele sabia que se não se alimentasse logo morreria, e morto – de verdade – ele não poderia estar junto de Alessa.
Kira, em um movimento rápido, investiu os dentes afiados e brancos no pescoço da jovem, que gritou ainda que dormindo. O sangue escorreu de seu pescoço e lambuzou todo e rosto e camiseta cavada branca de Kira. Ele não se importou. Sugou com vontade todo o sangue do corpo da mulher. Mal parava para respirar. Quando sentiu em sua língua a última gota de sangue, parou. Limpou a boca com as costas da mão e virou-se para Sam:
- Preciso de mais.



A Casa da Senhora Halle

Esse conto foi publicado pela Editora Andross na Antologia Círculo do Medo e agora eu o disponibilizo a vocês!

De todas as casas que havia naquela pequena cidade do interior de Washington a da senhora Halle era a mais estranha e suspeita. As janelas sempre fechadas com cortinas escuras atrás, não havia uma planta sequer - o que era muito estranho para uma idosa solitária que quando mais nova trabalhara com flores -, da chaminé nunca saía uma fumaça sequer e a maçaneta da porta da frente jamais era tocada por alguém. Nas paredes do lado de fora era possível notar as descamações da tinta marrom escura há muito esquecida pelo pintor. Sempre se ouvia um balançar de cadeira, daquelas bem antigas e desgastadas que nem o mais puro óleo seria capaz de consertar. A mulher jamais saía de casa.
Mais de dez anos que Josh morava na cidade e nunca viu a senhora Halle sair de casa. Ele sabia que existia alguém na casa, bem como que era uma idosa, pois costumava a ouvir cantarolar de vez em quando, e uma vez que o barulho da cadeira não era constante ele sabia que alguém se sentava nela. Josh sempre saía de casa cedo para trabalhar, voltava no almoço e depois saía de novo. Voltando sempre às sete da noite. Quando saía de manhã a senhora Halle já estava acordada, cantarolando uma melodia singular composta de apenas três tons. Sempre pensou em bater à porta dela e a convidar para um almoço ou café, mas foi-lhe dito que ela jamais gostou de ser incomodada, portanto, ele jamais se atreveu a tal.
Naquela manhã fria de segunda-feira depois de tomar o café Josh escovou os dentes e pela janela de seu banheiro testemunhou algo que até então ele jurava que jamais iria acontecer: a senhora Halle deixara uma das janelas abertas. Josh ficou surpreso e curioso. Curioso até demais. Em dez anos aquelas janelas jamais foram abertas. A porta da frente nunca fora empurrada para trás para dar passagem a uma simplória velhinha. Ele precisava olhar dentro da casa.
Segundos depois Josh estaria se esgueirando pelo jardim morto da senhora Halle. Sempre quis saber como ela se alimentava, como mantinha as contas da casa pagas, onde ficava a cadeira barulhenta e mais... Como era a senhora Halle.  Agachado debaixo da janela aberta Josh se preparava para virar e olhar dentro da casa. Antes, porém, certificou-se de que ninguém estava olhando. Não que houvesse muita gente para olhar, ainda mais àquela hora. O bairro apesar de repleto de casas e supostos moradores era muito calmo e quase nunca se via alguém na rua. Era mais habitado por idosos que pouco saíam de casa, Josh chegou a ver poucos jovens uma vez ou outra. Uma moça morena muito bonita que durante um tempo caminhava de manhã, uma loura que gostava de cuidar das plantas dos vizinhos. Um jovem rapaz que passeava com o cachorro no fim da tarde de vez em quando. A vizinhança seria deserta a maior parte do tempo não fossem as saídas de Josh e pelo som da senhora Halle ao sentar-se na cadeira e ao cantar sua música de três tons pela manhã.
Minutos depois de olhar para todos os lados possíveis, Josh tomou coragem e olhou dentro da casa.
Nada.
Não havia nada demais. Não que ele tivesse conseguido enxergar muita coisa, pois o ambiente mal iluminado não conseguia receber a pouca luz do sol da manhã. Josh desconfiou que nunca recebera luz alguma aquela casa. Forçou a vista sob o vidro sujo e avistou algo. Uma sombra. Corcunda. Era a senhora Halle, supôs.
Finalmente vou saber como é essa mulher. Pensou. Soprou o vidro e limpou com as costas da mão. Encostou o rosto e olhou mais. A sombra se movia com lentidão, andava em círculos, na verdade. Josh levantou-se um pouco mais para olhar o chão e foi quando percebeu que a cadeira da senhora Halle ficava bem no centro de um grande pentagrama invertido com símbolos sombrios e pagãos em cada ponta. A senhora Halle murmurava algo, pois ele percebeu que a boca dela se mexia, já estava assustado o bastante com o símbolo no chão da casa de uma simples senhorinha, mas agora descobriu que ela andava em círculos em volta do desenho murmurando algo estranho de uma forma macabra. No entanto, ela parecia não estar totalmente sozinha. Será que não era ela quem andava em volta do círculo? Será que está sendo feita refém? Além da sombra curvada, Josh notou uma segunda presença na casa mal iluminada. Temeu pela vida da pobre senhora Halle.
Decidiu que iria incomodar a senhora e o suposto estranho. Pela primeira vez em dez anos iria bater à porta da senhora Halle e perguntar o que estava havendo. Estava decidido. Inflou o peito e bateu. Três batidas seguidas. O coração querendo sair pela boca. As mãos tremeluzentes ainda voltando à posição de espera. Os passos começaram a se aproximar. O som era mais forte. Não eram mais um simples arrastar de passos.
Minutos depois a maçaneta da porta começou a girar. A luz começou a penetrar o ambiente e Josh pode vislumbrar um pouco mais da misteriosa casa da senhora Halle. Antes não tivesse feito isso. O chão estava manchado, assim como as paredes. Manchado de olhares, de gritos, de dor. Era impossível descrever de outra forma. Quando a porta estava aberta o suficiente para que a senhora Halle pudesse passar Josh foi puxado de súbito para dentro. Seu grito foi abafado por uma mão ossuda e mal cheirosa, mas forte. Não pode ser a senhora Halle! Josh se recusava a acreditar que aquela senhorinha que a ninguém causara problemas e que todas as manhãs cantarolava uma melodia bonita poderia ser uma seguidora de práticas suspeitas.
No mesmo instante que sua boca foi selada seus olhos foram vendados, de modo que os únicos sentidos que lhe restaram eram o olfato e audição. Ouvir de nada serviu, pois os passos cessaram no momento que ele foi jogado na cadeira que  não emitiu som algum. Balançou com o peso dele, mas em silêncio. O cheiro acre, no entanto, foi o suficiente para dar-lhe ânsia. Tentou gritar e sair da cadeira, mas embora não estivesse amarrado por cordas ou fios ele simplesmente não conseguia se mover.
Finalmente a suposta senhora Halle voltou. Tirou a mordaça de Josh, que em seguida gritou.
-Não perca tempo. Ninguém pode ouvi-lo. – disse uma vez esganiçada, cansada, porém firme.
- Mas eu ouvia a senhora! – ele respondeu.
- Ouviu porque eu quis que ouvisse.
- O que vai fazer?
- Nunca se perguntou por que esse é o único bairro de Washington que mais parece um cemitério?
- Me disseram que a população aqui é mais idosa e não sai muito. Eu mesmo nunca vi a senhora, em dez anos.
Foi quando Josh chegou à conclusão mais assustadora de sua vida.
- Isso não é possível!
- Não tenho tempo para besteiras. A última a vítima foi há um mês. Você é a única pessoa que restou nessa vizinhança. E o Ritual deve ser iniciado agora.
- Vítima? O que a senhora fez? – exclamou Josh, assustado. Aterrorizado. Esses anos todos foi vizinho de uma bruxa. Uma bruxa!
Mas ela não respondeu. Parou na frente de Josh. Na altura dos olhos dele e tirou a venda. O que Josh viu foi o suficiente para calar-lhe a voz que tentou emitir, fazer seu coração para de bater além de ser horrendo o bastante para fazer seus olhos saltarem das órbitas. Ele conseguiu urrar a dor que sentiu com o ato, e ouviu o gargalhar da velha bem como das palavras que ele tentou entender quando olhava na janela. 
VITA VITAE
VITA MEA EST
CORRIPIENS VITAM TUAM
VIDA MINHA
A VIDA É MINHA
TIRA A TUA VIDA

E assim a vida de Josh cessou. Em segundos. Seu último suspiro foi o primeiro da nova aparência da senhora Halle. Uma jovem ruiva de olhos azuis. Os olhos de Josh eram azuis. Seus cabelos eram da cor do fogo. Assim como os cabelos da mulher que morava no final da esquina eram grandes e negros. Os da moça da casa ao lado dela eram loiros brilhantes e seu corpo era escultural. O rapaz que gostava de cães uma vez fora moreno dos olhos negros e com um corpo atlético. Mas nunca ninguém jamais conheceu essas pessoas. A única pessoa que conheceram foi a senhora Halle. 


Quando o brilho do sol nasce diante de minha janela trincada


"You're no good for me
Baby, you're no good for me
You're no good for me
But baby, I want you, I want"


E se meu corpo e mente responderem apenas à dor?
E se eu não puder mais sentir amor?


E se eu nunca mais poder sentir?
Prevejo, deveras, um fim
Mas não choro
Esqueço
Ao beco pertenço


De mãos dadas com a escuridão
por onde passo vejo uma multidão
de anjos
e tento,
falho
e choro


fazer parte da luz nunca fez parte do plano
mas qual é o sentido
por que estou aqui
e para onde irei
o que sei
é o que jamais soube
o que nunca quis saber
de que me vale a vida viver


a cada brilho do sol que nasce diante de minha janela trincada
como minha alma marcada e manchada
é uma oportunidade que me é dada
e como sempre não vale nada


"it's you, it's you, it's all for you"


não me ensinaram a olhar no espelho
não me ensinaram a aprender
a sorrir sem querer
e a amar sem um amor certeiro


um monte de ossos colados a um membro só
um par de olhos a olhar o nada cheio de pó
um órgão que bombeia fluídos para um corpo
um envoltório em seu próprio mundo absorto


não há espaço para ninguém
não deixe o sentimento entrar
faço de mim mesma refém
e minha benção é poder matar


mas minha maldição é poder ressuscitar
todos os dias, de manhã, ao acordar
quando o brilho do sol nasce diante de minha janela trincada








Cinnamon,

can you smell it?


I can't. Not anymore.


O que

"Summertime sadness
Kiss me hard before you go"

Eu só queria que você soubesse

Que eu lhe amei mesmo sem saber o que é amor; e que você me acolheu mesmo sem saber o que me salvou;

Me desculpe por tudo lhe causei; eu simplesmente no fundo, apenas lhe amei; sem saber;  sem pedir
sem requisitar um espaço em sua vida pedi; mas preenchi;  aquele que jamais quis.


Uma vez eu jurei jamais sofrer por tal motivo; mas como podemos impedir as lágrimas de cairem; como podemos impedir o sentimento de existir; o que fazer quanto tudo o que resta é resistir? Eu sei que não é sua culpa; mas eu havia lhe pedido; eu lhe enviei o recado; e mesmo assim você; seguiu como se estivesse tudo amenizado. Cá estou; solitária, novamente; debulhando-me em lágrimas as quais; você, sozinho ou não; não merece; mas elas lhe pertencem, no entanto, não sei o que fazer com elas.

Não sei se lhe devo perdão, talvez devo
não sei se lhe devo satisfação
talvez não devo


e não encontrei outras formas de expressar essa dor senão através da escrita, então me desculpe se lhe ofendi de alguma forma, mas no final quem saiu ferido e estraçalhado fui eu.

Eu queria ser uma pedra de gelo como seu coração parece ser, mas não lhe culpo, afinal, como algo tão belo poderia se apaixonar por algo tão escuro como eu?

Meus dedos estão gelados, minhas mãos estão frias
meu corpo está paralisado
as imagens e os sons ecoam em minha mente pertubada
cada gota salgada que cai de meus esbugalhados olhos
correm pelo meu rosto deformado
afinal, como haveria algo tão magestoso se apaixonar por algo tão horrendo?

a modificação a qual nos subtmetemos de nada vale diante da perfeiçao que a sociedade apresentea a você dia após dia

Eu só lhe peço perdão

por ter permitido que tal desonra fizesse parte de sua vida, ainda que por pouco tempo

Eu não sei o que mais estou escrevendo
o que valho
afinal
por que estamos
ou estou aqui?

Um dia, quem sabe, na imperfeição da qual este magnifico universo foi feito, eu seja capaz de terminar esses versos estampados da minha dor que foram causadas pelo seu sorriso.


Nostalgic Lullaby

a destreza de suas mãos marcadas
a maciez de seu corpo desenhado
a sua boca que emite palavras narradas
aquecem meu coração de tristeza manchado

meus olhos marejados de dor
encontram consolo no seu sorriso, amor
meu pulso ganha vida ao lhe tocar
minha pele se arrepia ao lhe encontrar

mas de que me valem as rimas
se elas existem apenas aqui
de que me vale seu sorriso
se ele não é para mim

e assim sigo dançando sozinha
esse baile solitário
uma vez em minha cabeça criado
sem música e sem instrumento
eu danço sozinha
a balada da vida, nostalgia