Le Piano

" A vida é um piano. Teclas brancas representam a felicidade e as pretas a angústia. Com o passar do tempo você percebe que as teclas pretas também fazem música. "

The Last Song


Eu já devia saber 
mas não queria entender
que eu era as teclas pretas do nosso piano
enquanto você era as brancas, o maior encanto

Você beija o sol
enquanto sou chuva
você me conquista
enquanto nem mesmo luta

A delicadeza de seu toque
revela o real sentimento
e sozinha em meu quarto escuro
entendo

[com os fones de ouvido
ouço nossas músicas
que sempre foram suas]

e de alguma forma você as entregou a mim
mas nunca significaram nada
assim como eu
sozinha
no eterno breu

eu era como aqueles livros velhos e acabados
nos sebos e livrarias
que todos olham, mas ninguém levaria

como o dia nublado
mas você como o sol ilumina
e quero encontrar seu sorriso
em cada esquina

e quando encontro
meu corpo se alegra
o som do violino é feliz
a orquestra bate em meu peito
e a seu lado me deito

mas então vai embora
e me abandona à sorte
que não vejo e não encontro
e então choro

***

[eu sou o piano quebrado
molhado no mar 
eu não possuo som
pois minha voz se esgotou de tanto gritar]

são gritos inaudíveis
são gemidos silenciosos
são os escritos brancos
as profecias não críveis 

eu sou tudo e nada
a desgraça e a serenata
depende de quem vê e ouve
e você está cego e surdo
e finge que não sabe o que sempre soube




[ um dia, terminemos]








Sobre a efemeridade, parte II

Você não permite que as pessoas se apaixonem. 

Por que está aqui? Como chegou? Por que continua?

Desconheço a razão para tanto esforço.

" A morte é fácil, díficil é viver" .

Por que me obrigam a isso? Vocês são egoístas, pois não pensam no quanto estamos doloridos, só nos querem por perto. Para suprir a falta de vocês, jamais a nossa. Estamos sofrendo. E vocês fingem que querem nos ajudar, mas não é por nós e sim porque são incapazes de seguir suas vidas sem nossa presença falha. Mas nem ao menos tentaram.

***

O vazio existencial, a dor marcial, o sofrimento interno que se debulha em meus olhos cansados e caídos. Minhas mãos teclam palavras, e com o lápis rabisco coisas sem sentido no meu diário. No final do dia, deito minha cabeça no travesseiro e fito o teto branco de meu quarto.

Um quarto manchado pelas minhas lágrimas diárias que se mantém escondidas. Um  quarto surdo dos meus gritos silenciosos a  cada madrugada.  Um quarto cego, pois furou os próprios olhos quando percebeu que seria obrigado a me ver todos os dias.

À meia-noite ainda estou cansada mesmo tendo passado o dia todo deitada, pois fui incapaz de fazer algo útil. Estou quase me fundindo à cama, levanto-me apenas para atividades básicas e para inserir mais alimento neste envoltório sem valor. Assim como meus feitos ele nada vale, e eu insisto em tentar algo novo a cada dia para oferecer a vocês mais tempo.


"A decadência é tão grande que nem mesmo naquilo que um dia, erroneamente é claro, julguei ser capaz de fazer corretamente, hoje percebo que nunca soube. Era tudo uma grande ilusão, uma insistência fútil de tentar vencer, mas tantos outros já haviam vencido, portanto, não haveria lugar para um verme miserável que acreditou ser capaz de ultrapassa-los. "

O que me consola é a efemeridade do tempo e da vida. Logo, serei apenas pó, não como aqueles que forço garganta abaixo na esperança de um sorriso mais duradouro ao longo do dia. 

***

Eu me ofereci a você, eu tentei de todas as formas possíveis ser suficiente, mas não fui. Eu nunca sou. Todos se cansam, e vão embora. Você nem ao menos chegou a ficar. Fingiu, no início, que poderia ser, mas não foi.



Alles gute zum geburtstag, Thays


Shandar

com os olhos pequeninos
e os pelos finos
apavorada estava
mas logo se acalmou
em meus braços,
ficou

[de um lado do rosto, preto
do outro branco
mas o medo estava mesclado à carência
estampado no olhar assustado]

mas uma vez que estava alimentada
limpa e calma
em meu peito se acomodou
mas não apenas ali morou
em meu coração criou raízes

seus carinhos de manhã
e também à noite
me acalmaram e me deixaram feliz
o que havia tanto pedido naquele dia
chegou à minha casa, enfim

deus não faz parte de tudo isso
mas o Universo parece agir de forma semelhante
ele me deu um presente
apenas para aprecia-lo, por algum ou quase nenhum
instante






Projeto Nacionais

Oi, povo.

Então, decidi começar esse mês um projeto de leitura de livros de autores nacionais, quero dizer, além dos que eu leio que são mais conhecidos, mas gostaria de dar visão a autores que não são tão conhecidos ou mesmo nada conhecidos como moi.

Vou começar lendo os livros de autores que conheço e tenho contato como a Jéssica Macedo, Thaís Lopes - que fez a capa do meu primeiro bebê *--- - , Thaís Silveira, enfim essas são as que eu conheço, mas só no meu facebook tem milhares de autores que sei que escrevem bem pra caramba e eu gostaria de ter mais tempo e dinheiro pra lê-los. De qualquer forma, bora começar de algum jeito, né, mores.

Deixem sugestões, se quiserem, nos comentários de autores nacionais que vocês acham que eu gostaria de ler. As resenhas vão sair no meu blog de resenhas Conversas de Leitor. 


Blut - Parte IV

Você pode ler as partes I, II e III

***

- Você não está falando sério, Sam! – exclamou Kira ao se dar conta de que a ex-namorada poderia, de fato, estar falando sério. E como ele temia, uma sede descomunal passou a tomar conta de seu ser.
- Nunca falei tão sério na vida, meu amor. Agora seja um bom menino e me ajude.
- Como eu poderia ajudar você? Estou morto, lembra?
- Só até chegarem com a comida, oras.
- Eu não posso acreditar nas coisas que está falando. E não consigo acreditar que você julga Alessa, mas é a mesma criatura que ela. A diferença que ela é melhor.
- Não ouse dizer que aquela coisa é melhor que eu! Eu sou mil vezes melhor.
- Nunca! Você me sequestrou. Se aliou aos inimigos.
- Como pode saber quem é o inimigo? Por acaso sua queridinha não lhe contou a história?
- Que história?
- Sobre você e o que ela realmente quer.
- Do que está falando, Sam? – perguntou Kira, um pouco mais calmo, mas agora definitivamente intrigado.
- Ela só está com você porque irá lhe oferecer como sacríficio para um tal de Pio aí.
- Você é muito ingênua mesmo. O Pio não pode ser o líder. Alessa é por direito. E ela vai conseguir o seu lugar.
- Sim, iria se você ainda fosse um humano.
- Explica.
- Alessa precisava de um humano do qual ela se importasse para oferecer como sacríficio maior para Pio e os regentes da Grande Mansão porque esse ano é o ano da Lua Cheia Vermelha Total que só acontece a cada 300 anos. Quando isso acontece um vampiro pode oferecer à natureza uma vida e em troca a natureza lhe dá algo.
- Tipo o que?
- Ninguém sabe.
- Nossa, que idiotice, Sam. Acha mesmo que a Alessa iria cair nessa história do Pio?  No mínimo, é algum plano dele para matá-la. – disse Kira, levantando-se da cama onde estava sentado, mas não pode andar muito, pois seus calcanhares estavam presos à correntes.
- Claro que não, Kira. Ele me disse. Já aconteceu antes, mas a pessoa que ganhou o presente da natureza morreu em seguida.
- Muito prático.
- Não importa. Você não é mais útil para ela. Agora podemos ser felizes juntos.
- Haha, só que não, né. Primeiro, que se eu não me alimentar de um humano eu morro. Segundo, depois que eu fizer isso vou me encontrar com a Alessa e pensar em como resolver a questão do Pio.
- Kira. Entende, ela não te quer mais.
- Você não sabe disso.
- Tudo bem, então. – concordou, falsamente Sam, pois ela havia ouvido barulhos vindos de fora da casa e soube que os capangas de Pio haviam chegado com a “comida” de Kira. – Vou soltar suas correntes e você me segue. Se tentar fugir eu te mato.
- Quanto amor! – disse Kira, ironicamente.

Quando Sam soltou as correntes que prendiam Kira ele não se mexeu. Ficou aguardando algum movimento da moça. Que sorriu para ele antes de tentar beijá-lo. Kira desviou o rosto e olhou furtivamente para ela, que desdenhou outro sorriso nos lábios maquiados de batom rosa. Em seguida, fez menção de se dirigir à porta do quarto e pediu que Kira o seguisse. Quando chegaram à sala, uma mulher jazia adormecida, quase morta, no sofá de três lugares e ao seu lado, dois homens altos e fortes estavam prostrados como duas estátuas.
- Kira, você sabe o que fazer.
Kira não disse nada. Apenas sentiu seu coração bater mais rápido e sua jugular pulsou com força. Seus olhos ficaram vermelhos e ao redor deles veias surgiram. Ele tentou lutar contra o instinto predador, pois não queria tirar a vida da pobre e inocente moça que adormecia no sofá. Mas ele sabia que se não se alimentasse logo morreria, e morto – de verdade – ele não poderia estar junto de Alessa.
Kira, em um movimento rápido, investiu os dentes afiados e brancos no pescoço da jovem, que gritou ainda que dormindo. O sangue escorreu de seu pescoço e lambuzou todo e rosto e camiseta cavada branca de Kira. Ele não se importou. Sugou com vontade todo o sangue do corpo da mulher. Mal parava para respirar. Quando sentiu em sua língua a última gota de sangue, parou. Limpou a boca com as costas da mão e virou-se para Sam:
- Preciso de mais.



Quando o brilho do sol nasce diante de minha janela trincada


"You're no good for me
Baby, you're no good for me
You're no good for me
But baby, I want you, I want"


E se meu corpo e mente responderem apenas à dor?
E se eu não puder mais sentir amor?


E se eu nunca mais poder sentir?
Prevejo, deveras, um fim
Mas não choro
Esqueço
Ao beco pertenço


De mãos dadas com a escuridão
por onde passo vejo uma multidão
de anjos
e tento,
falho
e choro


fazer parte da luz nunca fez parte do plano
mas qual é o sentido
por que estou aqui
e para onde irei
o que sei
é o que jamais soube
o que nunca quis saber
de que me vale a vida viver


a cada brilho do sol que nasce diante de minha janela trincada
como minha alma marcada e manchada
é uma oportunidade que me é dada
e como sempre não vale nada


"it's you, it's you, it's all for you"


não me ensinaram a olhar no espelho
não me ensinaram a aprender
a sorrir sem querer
e a amar sem um amor certeiro


um monte de ossos colados a um membro só
um par de olhos a olhar o nada cheio de pó
um órgão que bombeia fluídos para um corpo
um envoltório em seu próprio mundo absorto


não há espaço para ninguém
não deixe o sentimento entrar
faço de mim mesma refém
e minha benção é poder matar


mas minha maldição é poder ressuscitar
todos os dias, de manhã, ao acordar
quando o brilho do sol nasce diante de minha janela trincada








Cinnamon,

can you smell it?


I can't. Not anymore.


O que

"Summertime sadness
Kiss me hard before you go"

Eu só queria que você soubesse

Que eu lhe amei mesmo sem saber o que é amor; e que você me acolheu mesmo sem saber  que me salvou;

Me desculpe por tudo lhe causei; eu simplesmente no fundo, apenas lhe amei; sem saber;  sem pedir
sem requisitar um espaço em sua vida pedi; mas preenchi;  aquele que jamais quis.


Uma vez eu jurei jamais sofrer por tal motivo; mas como podemos impedir as lágrimas de cairem; como podemos impedir o sentimento de existir; o que fazer quanto tudo o que resta é resistir? Eu sei que não é sua culpa; mas eu havia lhe pedido; eu lhe enviei o recado; e mesmo assim você; seguiu como se estivesse tudo amenizado. Cá estou; solitária, novamente; debulhando-me em lágrimas as quais; você, sozinho ou não; não merece; mas elas lhe pertencem, no entanto, não sei o que fazer com elas.

Não sei se lhe devo perdão, talvez devo
não sei se lhe devo satisfação
talvez não devo


e não encontrei outras formas de expressar essa dor senão através da escrita, então me desculpe se lhe ofendi de alguma forma, mas no final quem saiu ferido e estraçalhado fui eu.

Eu queria ser uma pedra de gelo como seu coração parece ser, mas não lhe culpo, afinal, como algo tão belo poderia se apaixonar por algo tão escuro como eu?

Meus dedos estão gelados, minhas mãos estão frias
meu corpo está paralisado
as imagens e os sons ecoam em minha mente pertubada
cada gota salgada que cai de meus esbugalhados olhos
correm pelo meu rosto deformado
afinal, como haveria algo tão magestoso se apaixonar por algo tão horrendo?

a modificação a qual nos subtmetemos de nada vale diante da perfeiçao que a sociedade apresentea a você dia após dia

Eu só lhe peço perdão

por ter permitido que tal desonra fizesse parte de sua vida, ainda que por pouco tempo

Eu não sei o que mais estou escrevendo
o que valho
afinal
por que estamos
ou estou aqui?

Um dia, quem sabe, na imperfeição da qual este magnifico universo foi feito, eu seja capaz de terminar esses versos estampados da minha dor que foram causadas pelo seu sorriso.


Nostalgic Lullaby

a perícia de suas mãos marcadas
a maciez de seu corpo desenhado
a sua boca que emite palavras narradas
aquecem meu coração de tristeza manchado

meus olhos marejados de dor
encontram consolo no seu sorriso, amor
meu pulso ganha vida ao lhe tocar
minha pele se arrepia ao lhe encontrar

mas de que me valem as rimas
se elas existem apenas aqui
de que me vale seu sorriso
se ele não é para mim

e assim sigo dançando sozinha
esse baile solitário
uma vez em minha cabeça criado
sem música e sem instrumento
eu danço sozinha
a balada da vida, nostalgia