Blut - Parte IV

Você pode ler as partes I, II e III

***

- Você não está falando sério, Sam! – exclamou Kira ao se dar conta de que a ex-namorada poderia, de fato, estar falando sério. E como ele temia, uma sede descomunal passou a tomar conta de seu ser.
- Nunca falei tão sério na vida, meu amor. Agora seja um bom menino e me ajude.
- Como eu poderia ajudar você? Estou morto, lembra?
- Só até chegarem com a comida, oras.
- Eu não posso acreditar nas coisas que está falando. E não consigo acreditar que você julga Alessa, mas é a mesma criatura que ela. A diferença que ela é melhor.
- Não ouse dizer que aquela coisa é melhor que eu! Eu sou mil vezes melhor.
- Nunca! Você me sequestrou. Se aliou aos inimigos.
- Como pode saber quem é o inimigo? Por acaso sua queridinha não lhe contou a história?
- Que história?
- Sobre você e o que ela realmente quer.
- Do que está falando, Sam? – perguntou Kira, um pouco mais calmo, mas agora definitivamente intrigado.
- Ela só está com você porque irá lhe oferecer como sacríficio para um tal de Pio aí.
- Você é muito ingênua mesmo. O Pio não pode ser o líder. Alessa é por direito. E ela vai conseguir o seu lugar.
- Sim, iria se você ainda fosse um humano.
- Explica.
- Alessa precisava de um humano do qual ela se importasse para oferecer como sacríficio maior para Pio e os regentes da Grande Mansão porque esse ano é o ano da Lua Cheia Vermelha Total que só acontece a cada 300 anos. Quando isso acontece um vampiro pode oferecer à natureza uma vida e em troca a natureza lhe dá algo.
- Tipo o que?
- Ninguém sabe.
- Nossa, que idiotice, Sam. Acha mesmo que a Alessa iria cair nessa história do Pio?  No mínimo, é algum plano dele para matá-la. – disse Kira, levantando-se da cama onde estava sentado, mas não pode andar muito, pois seus calcanhares estavam presos à correntes.
- Claro que não, Kira. Ele me disse. Já aconteceu antes, mas a pessoa que ganhou o presente da natureza morreu em seguida.
- Muito prático.
- Não importa. Você não é mais útil para ela. Agora podemos ser felizes juntos.
- Haha, só que não, né. Primeiro, que se eu não me alimentar de um humano eu morro. Segundo, depois que eu fizer isso vou me encontrar com a Alessa e pensar em como resolver a questão do Pio.
- Kira. Entende, ela não te quer mais.
- Você não sabe disso.
- Tudo bem, então. – concordou, falsamente Sam, pois ela havia ouvido barulhos vindos de fora da casa e soube que os capangas de Pio haviam chegado com a “comida” de Kira. – Vou soltar suas correntes e você me segue. Se tentar fugir eu te mato.
- Quanto amor! – disse Kira, ironicamente.

Quando Sam soltou as correntes que prendiam Kira ele não se mexeu. Ficou aguardando algum movimento da moça. Que sorriu para ele antes de tentar beijá-lo. Kira desviou o rosto e olhou furtivamente para ela, que desdenhou outro sorriso nos lábios maquiados de batom rosa. Em seguida, fez menção de se dirigir à porta do quarto e pediu que Kira o seguisse. Quando chegaram à sala, uma mulher jazia adormecida, quase morta, no sofá de três lugares e ao seu lado, dois homens altos e fortes estavam prostrados como duas estátuas.
- Kira, você sabe o que fazer.
Kira não disse nada. Apenas sentiu seu coração bater mais rápido e sua jugular pulsou com força. Seus olhos ficaram vermelhos e ao redor deles veias surgiram. Ele tentou lutar contra o instinto predador, pois não queria tirar a vida da pobre e inocente moça que adormecia no sofá. Mas ele sabia que se não se alimentasse logo morreria, e morto – de verdade – ele não poderia estar junto de Alessa.
Kira, em um movimento rápido, investiu os dentes afiados e brancos no pescoço da jovem, que gritou ainda que dormindo. O sangue escorreu de seu pescoço e lambuzou todo e rosto e camiseta cavada branca de Kira. Ele não se importou. Sugou com vontade todo o sangue do corpo da mulher. Mal parava para respirar. Quando sentiu em sua língua a última gota de sangue, parou. Limpou a boca com as costas da mão e virou-se para Sam:
- Preciso de mais.



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