I need some help*


* Música de Eels - I Need Some Help


" you just gotta let it go"


Eu provei dos teus lábios
e do teu corpo
eu me afoguei no mar
de um sorriso maroto

[ I was used
maybe abused
and the worse
I was lucid
I knew it
I knew it ]

And I did not care
how many times did you asked
are you fine?
no, but it is ok
for now, you are mine


are you there?
Because I'm still here
And I feel somewhere
That you're still near

Há uma diferença entre essa e aquela dor
o que eu estava pensando?
que juntos estaríamos andando?
Mas demônios não sentem amor

Pelas portas do inferno passei
mas era ao seu lado que eu estava
logo, acreditei. Óh, aqui ficarei
mas não, uma voz em meu ouvido cantava

Você provou dos meus lábios e do meu corpo
pequenas amostras, mas é só isso, corvo
o pássaro negro a este lugar não pertence
e eu nunca quis você, ó ser demente

Então, como foi capaz de me cativar?
Acontece que essa classe de demônios
é muito fácil de enganar
mesmo que não tenha sido minha intenção
sei que penetrei, também, em seu coração

Deixe-me tocar para ti uma música
não é preciso, corvo
deixe-me, uma última vez,
tocar seu corpo

[Agora é tarde, demônio
Fui-me para longe deste património]

"Você tá sempre indo e vindo" *

Eu fico em posição fetal
chorando lágrimas que não tenho
por um medo bobo e desfenho
por um sonho mais que banal

Você é a minha droga perfeita
trabalhada com minha própria desfeita
eu a aplico devagar, bem devagar
para que assim ela possa me acalentar
Por que faz isso, corvo demente?
Você é minha queda, demônio ardente

Eu sou o nada absorto entre dois mundos
nunca vou e nunca fico
jamais sei sabendo isso e aquilo
eu me julgava forte
mas mal sabia que contava com a sorte

Eu lhe peço perdão, rei dos infernos
pode um demônio perdoar o outro?
Você é meu anjo louro
e eu
sou o que restou do ogro



[ ainda ei de terminar esse ]















King in the Hell

Eu fico ouvindo o piano e me imagino tocando
você está sentado ao meu lado,  observando

movo meu pescoço conforme a melodia
e você sorri, pois nota minha paixão

mas mal sabe você que toco para ti
por quem bate meu simplório coração

***
Eu vi o pai de todos os demônios
e eu adormeci ao seu lado
tive os melhores sonhos
e cheguei a crer, por acaso
na verdade, eu cheguei a me imaginar
indo ao seu encontro
correndo pra te abraçar

Nunca haveria eu de imaginar
que demônios poderiam amar
- e de fato não podem -


[Cicatrizes na pele podem se curar
mas as deixadas na alma
parecem jamais sarar]


Acontece que eu não aguento mais esses acontecimentos
a cada dia que passa são novos sofrimentos
cada decisão tem uma consequência
mas parece que minha vida é regada a falência

Nem os Anjos caídos conseguem me reerguer
a cada nova queda 
estou mais ao fundo do antes poderia crer

O Rei dos Infernos cantou-me uma canção
sussurrou em meu ouvido 
as mais doces palavras
e acariciou meu cabelo
com suas mãos marcadas

[Mas quando eu lhe disse a verdade
ele sorriu
e partiu]






Meu LIVRO - Confissões de um Suicida

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Sobre a escrita

Eu vivo fazendo empréstimos.

Sempre que começo uma nova leitura pego os olhos do autor emprestado e sua voz também. É através dele que me refaço naquele novo amotoado de papel. Reservados para os olhos não cansados, os livros me fazem seguir de uma forma que a maioria das pessoas não consegue. Cada palavra que adentra meu cerébro constrói aqui dentro uma infinidade de histórias, no entanto, não sendo merecedora da dádiva que tais autores possuem, eu falho em colocá-las em um pedaço de papel qualquer. Pelo menos, à primeira vista.

Depois de algum tempo, as palavras parecem se reogarnizar de forma solitária e íngreme na minha cabeça que matuta coisas sem sentido o tempo todo. E então, sem nem ao menos perceber estou rabiscando em um dos meus vários caderninhos algo. Algo que, a príncipio, pode não fazer sentido para você. Ou para mim. Mas, uma vez que tenho lapidado o texto noto que, de fato, posso fazer alguma mágica com as palavras.

Todavia, o maior feitio mágico que sou capaz de contar através de escritos malfeitos é exatamente o que acontece comigo mesma. Ao transpassar para papeis manchados de lágrimas que não foram derramas por meus olhos cansados da vida, marejados da dor que escondo todos os dias... É ali que a magia acontece, pois nesse ato transpasso não apenas ideias e palavras, mas toda a angústia que se havia formado em meu âmago. E então, como alguém que ficou em baixo d'gua por tempo demasiado, eu respiro. 

E então, fito meu reflexo distorcido no espelho sujo. Não me reconheço, porém, vejo além. Vejo escritos se formando acima de minha cabeça. Como uma aureola de palavras. Elas são negras, obviamente. E concluo que posso não ser um Anjo e ser um demônio, mas um demônio das palavras.