O baile

o caminho sem volta
a dor sem glória
o fracasso sem lógica
eu era uma lembrança
- jamais nostálgica -

"ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver "

nem ao verme dedico
pois ele merece mais
que meu desgastado corpo
preenchido de tantos ais

o latido do cão sem dono
a soturnez no olhar de abandono
a delirância do louco que jaz na cama
eu sou aquele que ninguém quis e nem ama

a ferida aberta cheia de sal
o corte pela adaga do mal
o pulso esquartejado
eu sou o demônio encarnado

o solitário caminhar do isolado
o desatino do que foi calado
a máfia do destino encapuzado
eu sou o homem bestializado

a cicatriz no pescoço da corda presa
a chama da vela vermelha jamais acesa
o baile nunca dançado
eu sou aquele que nunca foi amado

eu sou o que não vai
eu sou aquele que não vive
eu sou tudo o que cai
eu sou aquele jamais passível
de ser livre










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