30 de dezembro de 2017

Análogo

É um caminhar solitário. Todos os dias quando abro os olhos e fito a claridade que o sol dispõe sob  minha janela que dormiu aberta. E então, em um esforço desnecessário, mas rotineiro consigo forçar meu corpo a sair desse objeto que tanto amo,  mas não devido àquele sentimento que muitos jovens ousam "sentir" ... prostração.

Sinto um pulsar mais forte em meu peito, mas sei que não é o órgão responsável por enviar fluídos pútridos ao restante de meu envoltório sem valor. Logo, penso. Chegou a hora? Já estava demorando demais, no entanto, a dor que senti abaixo dessa "tosca caixa toráxica" cessa. E então lamento, pois será mais um dia, uma semana, um mês que terei de encontrar formas de colocar nesse rosto manchado de agonias passadas, cansado de rituais frívolos, e desmerecedor de tantos olhares fingidos... uma expressão amábile.

Cansei de tentar justificar, explicar aos desprovidos da capacidade de entendimento de tal desgosto o que se passar nesse meu cérebro danificado. Deteriorado ele está, assim como meu espírito... se é que tenho um. Afinal, demônios choram. 

Encontro acalento em poucas coisas. Alguns pedaços de papel dispostos juntos, formando um retângulo perfeito, neles há vários vocábulos que são aptos a me levarem para um universo diferenciado desse ao qual somos obrigados a viver. Minha mente se desprende de meus putrefatos e sem significado restos mortais e vaga por esses inúmeros mundos. 

Jamais idônea. Jamais suficiente. Nunca diferente. 

O análogo cansa. 

E eu sigo cansada. 






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25 de dezembro de 2017

Odin

Ethan caminhava solitário pelas ruas da iluminada Nova York naquela simplória quarta-feira de março.
Suas costas largas pareciam querer rasgar a camiseta de linho vermelha que trajava, e seus cabelos loiros formavam uma trança a partir do topo da cabeça até abaixo dos ombros. O vento batia em seu rosto e fazia com que alguns poucos fios soltos na frente se tremelezissem diante das numerosas luzes da cidade que jamais dormia.
Com as mãos no bolso, sentiu em um deles o celular vibrar. Temeu ser quem não devia, portanto, não se importou em atender ou chegar recados. A noite estava perto de se tornar madrugada e poucas pessoas ainda se encontravam na rua. Ethan precisava chegar em casa, mas ainda faltavam pelo menos duas quadras. A Times Square pareceu um bom lugar para passar a noite, visto que ele evitaria um de seus colegas de apartamento que nos últimos dias só fez falar em sua cabeça acerca de suas compras, vendas e consumo "nem tão legais" assim.
Mas naquela noite Ethan não poderia dormir fora de casa. Não era uma simples quarta-feira de março. Era a quarta-feia, noite de Lua Vermelha. E antes que suponha qualquer coisa Ethan não se transformaria em um lobo sanguinário disposto a matar tudo e todos, um lobisomem. O problema de Ethan era levemente pior. Pois ele não dependeria de lua alguma para enfrentar o que temia: seu antigo mestre na arte da magia negra.
Finalmente estava em casa e ao colocar a chave na fechadura da porta sentiu algo que não sentia há anos. Uma presença. Algo sombrio. Não soube dizer o que era. Não seria capaz de descrever a presença que sentira ao colocar a mão na maçaneta. Paul estava em casa, pelo menos era o que havia lhe dito algumas horas mais cedo, no entanto, ao adentrar na casa Ethan teve a certeza de que apesar de não estar sozinho não era com Paul que ele estava.
- Mostre-se. - disse Ethan com um tom de voz ameno, mas firme. Após acender as luzes da sala de estar. Todavia, ele não obteve resposta nenhuma. - MOSTRE-SE!
Ethan sabia que algo estava na casa. Uma presença maligna. Ele sabia disso, mas não sabia como enxergar, nem como fazer seja lá o que for que estava na casa aparecer. Até que...
- Ethan. - uma voz de tom muito grave surgiu dos fundos da casa, de onde não havia luz alguma. Ethan virou-se de súbito para a direção de onde o som provinha. - Ethan! - a voz pareceu chamar por Ethan novamente, mas com mais força e querendo que Ethan olhasse para ela, mas como ele enxergaria algo naquele breu?
- Quem é você? Mostre-se! - ordenou Ethan dando alguns passos à frente, mas sem adentrar na escuridão de sua própria casa.
- Você foi convocado, Ethan Crawford. E você deve aceitar a missão.
- Como eu posso aceitar uma missão que nem sei o que devo fazer?
- É seu destino.
- Cara, estou falando com uma voz invísivel, não foi aceitar porra nenhuma! - exclamou Ethan já perdendo a paciência.
- Ethan Crawford, sua missão consiste em tirar a vida de um ser em especial.
Ethan não estava entendendo nada, e mesmo sem arma ou poder algum decidiu se aproximar de onde a voz parecia surgir. Seu quarto.
- Então quer que eu me torne um assassino?
- Não finja ser o que não é, já tirou vidas antes. - disse a voz com um tom sarcástico.
- Isso foi diferente. - disse Ethan virando-se na direção oposto à voz.
- Você deve aceitar a missão.
- Mas que missão é essa? - esbravejou Ethan, uma vez que ficou irritado com a voz.
- Você precisa derrotar uma grande entidade chamada Skuld. Ela é uma antiga descentende da primeira Valkíquira Brünhild e nos últimos dias se mostrou uma ameça para todos.
- Que tipo de ameaça?
- Isso não é de seu interesse, Ethan. Apenas aceite a missão e não sofrerá mal algum.
- Por que eu?
- Você, Ethan Crawford, é um semideus. Você é filho do grande deus Odin.














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5 de dezembro de 2017

Sub

Eu estava parada no metrô, caminhava lento. Os trilhos sujos e marcados pelo tempo. A passarela cheia de marcas, de passadas de pessoas passadas. O relógio marcava três da tarde. Meu coração marcava saudade.

Entrei. Sentei. Os minutos passaram. Cheguei em casa horas depois.

Conversamos. Sorrimos.
Falamos. Felizes parecíamos. Somos?

Sua risada me contagiou.
E então, antes de cair sob a água morna do chuveiro, saímos.
Mas na volta a natureza cedeu e as nuvens despencaram. A água fria nos banhou.

Mas pelo demônio fui carregada. E enquanto ele corria eu via... a água que caía. 
E aquele momento foi eternizado em minha solene memória.
Como as marcas que me deixa não de forma nem tão simplória.
Foi um átimo de segundo, o bastante para aquecer meu espírito.
A dor que me aflige todos os dias é dissipada por sua máquina.
No colo do demônio desejei adormecer.
Todavia, cabia somente a ele querer.

E eu carrego a sina de amar o nostálgico, de ceder aos possíveis "e se", e de chorar à noite por aqueles que nem estão aqui. Sob um manto sépia meus olhos marejados pela sua dor e agora pelo meu mais puro amor, eu desfaleco diante da verdade. Agradeço cada verbo, mas não fui capaz de despertar a saudade. 

Foi apenas um dia. Algo ( você ) que jamais me cansa. Apenas uma lembrança. 




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A Pianista (e a) Sereia - Parte II

Camni estava em sua casa antes abandonada e malcuidada, pois a maioria dos moradores do bairro não ousaram entrar na casa após a saída dos ...