30 de dezembro de 2017

Análogo

É um caminhar solitário. Todos os dias quando abro os olhos e fito a claridade que o sol dispõe sob  minha janela que dormiu aberta. E então, em um esforço desnecessário, mas rotineiro consigo forçar meu corpo a sair desse objeto que tanto amo,  mas não devido àquele sentimento que muitos jovens ousam "sentir" ... prostração.

Sinto um pulsar mais forte em meu peito, mas sei que não é o órgão responsável por enviar fluídos pútridos ao restante de meu envoltório sem valor. Logo, penso. Chegou a hora? Já estava demorando demais, no entanto, a dor que senti abaixo dessa "tosca caixa toráxica" cessa. E então lamento, pois será mais um dia, uma semana, um mês que terei de encontrar formas de colocar nesse rosto manchado de agonias passadas, cansado de rituais frívolos, e desmerecedor de tantos olhares fingidos... uma expressão amábile.

Cansei de tentar justificar, explicar aos desprovidos da capacidade de entendimento de tal desgosto o que se passar nesse meu cérebro danificado. Deteriorado ele está, assim como meu espírito... se é que tenho um. Afinal, demônios choram. 

Encontro acalento em poucas coisas. Alguns pedaços de papel dispostos juntos, formando um retângulo perfeito, neles há vários vocábulos que são aptos a me levarem para um universo diferenciado desse ao qual somos obrigados a viver. Minha mente se desprende de meus putrefatos e sem significado restos mortais e vaga por esses inúmeros mundos. 

Jamais idônea. Jamais suficiente. Nunca diferente. 

O análogo cansa. 

E eu sigo cansada. 






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25 de dezembro de 2017

Laço

o etéreo tilintar de nossos corpos
[copos]
o álcool estremece
por seu corpo minha boca desce

na longanimidade da existência
efêmera do desejo
de você não sofro abstinência

de todo vilipêndio que a vida me vituperou
sua presença apóstrofe à dormência
[do espírito]
por fim meu ser jazido no leito, acordou

***

quero ver-te adormecer em meu colo
plantar-te-ei em meu sagrado solo
suas sementes são seus beijos
e eles me trancam em seus segredos

mas é de uma prisão que não quero sair
do mundo apenas fugir
e esconder-me-ei em seu abraço

porque eu antes apenas um sujo nó
ao fitar-te com meus olhos cansados
fui capaz de fazer-me laço









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Thor

eu clamo por sua presença, no momento que sua ausência, se faz presente
eu enxergo o vento que beija seu cabelo louro 
eu escuto a cor do céu que à noite reluz no rio o seu rosto (por mim) clemente

" grito em silêncio as borboletas do meu estômago"

posso ter perdido grande(s) amor(es) e tantos outros não horrores
mas encontrei na sua magnífica pessoa
tudo aquilo que escondi nas notas jamais tocadas, os mais diversos clamores

alguém permita-me salvar-me deste assombroso destino
o que acontece, meu deus Odin
eu sinto algo que até então não fazia mais sentido 

Beija-me Thor e Senhor
Aceitas minha dor?
És capaz de sentir amor?

Não lhe peço que fique para sempre
Mas se quiser encontraremos
um lugar para bebermos
a paz que o sentir
é capaz
de transmitir.

ônix.






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Odin



Ethan caminhava solitário pelas ruas da iluminada Nova York naquela simplória quarta-feira de março. 

Suas costas largas pareciam querer rasgar a camiseta de linho vermelha que trajava, e seus cabelos loiros caíam nos ombros formando alguns cachos. O vento batia em seu rosto e fazia com que as madeixas se tremelezuiam diante das numerosas luzes da cidade que jamais dormia.

Com as mãos no bolso, sentiu em um deles o celular vibrar. Temeu ser quem não devia, portanto, não se importou em atender ou chegar recados. A noite estava perto de se tornar madrugada e poucas pessoas ainda se encontravam na rua. Ethan precisava chegar em casa, mas ainda faltavam pelo menos duas quadras. A Times Square pareceu um bom lugar para passar a noite, visto que ele evitaria um de seus colegas de apartamento que nos últimos dias só fez falar em sua cabeça acerca de suas compras, vendas e consumo "nem tão legais" assim.

Mas naquela noite Ethan não poderia dormir fora de casa. Não era uma simples quarta-feira de março. Era a quarta-feia, noite de Lua Vermelha. E antes que suponha qualquer coisa Ethan não se transformaria em um lobo sanguinário disposto a matar tudo e todos, um lobisomem. O problema de Ethan era levemente pior.

Finalmente estava em casa e ao colocar a chave na fechadura da porta sentiu algo que não sentia há vários anos. Uma presença. Algo sombrio. Não soube dizer o que era. Não seria capaz de descrever a presença que sentira ao colocar a mão na maçaneta. Paul estava em casa, pelo menos era o que havia lhe dito algumas horas mais cedo, no entanto, ao adentrar na casa Ethan teve a certeza de que apesar de não estar sozinho não era com Paul que ele estava.

- Mostre-se. - disse Ethan com um tom de voz ameno, mas firme. Após acender as luzes da sala de estar. Todavia, ele não obteve resposta nenhuma. - MOSTRE-SE! 

Ethan sabia que algo estava na casa. Uma presença maligna. Ele sabia disso, mas não sabia como enxergar, como fazer seja lá o que for que estava na casa aparecer. Até que...

- Ethan. - uma voz de tom muito grave surgiu dos fundos da casa, de onde não havia luz alguma. Ethan virou-se de súbito para a direção de onde o som provinha. - Ethan! - a voz pareceu chamar por Ethan novamente, mas com mais força e querendo que Ethan olhasse para ela, mas como ele enxergaria algo naquele breu?

- Quem é você? Mostre-se! - ordenou Ethan dando alguns passos à frente, mas sem adentrar na escuridão de sua própria casa. 


- Você foi convocado, Ethan Crawford. E você deve aceitar a missão.

- Como eu posso aceitar uma missão que nem sei o que devo fazer?

- É seu destino. 

- Cara, estou falando com uma voz invísivel, não foi aceitar porra nenhuma!

- Ethan Crawford, sua missão consiste em tirar a vida de um ser em especial.


Ethan não estava entendendo nada, e mesmo sem arma ou poder algum decidiu se aproximar de onde a voz parecia surgir. Seu quarto. 


- Então quer que eu me torne um assassino?

- Não finja ser o que não é, já tirou vidas antes. - disse a voz com um tom sarcástico.

- Isso foi diferente. - disse Ethan virando-se na direção oposto à voz.

- Você deve aceitar a missão. 

- Mas que missão é essa? - esbravejou Ethan, uma vez que ficou irritado com a voz.

- Você precisa derrotar uma grande entidade chamada Skuld. Ela é uma antiga descentende da primeira Valkíquira Brünhild e nos últimos dias se mostrou uma ameça para todos.

- Que tipo de ameaça?

- Isso não é de seu interesse, Ethan. Apenas aceite a missão e não sofrerá mal algum.

- Por que eu? 

- Você, Ethan Crawford, é um semideus. Você é filho do grande deus Odin.













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13 de dezembro de 2017

Fairytale


Aconchego-me em teu abraço quente
encaixo-me dentro de seus braços
perfeitamente

embriago-me em teu sorriso doce
bebo de tua risada como se álcool
fosse

perco-me no brilho de teu olhar sereno
desvendo o labirinto de seu corpo
ameno

***

Não há súmula de vocábulos suficientes para descrever a sensação
que meu corpo exala, e minha boca procura, e meu espírito canta
diante da imensidão que o universo oferece em descrição
não encontro palavras que seriam capazes de traduzir tal tradução
é como se minhas mãos buscassem, e minha alma quisesse a sua
somos dois espíritos revoltos, perdidos diante da escuridão nua


Urdo um caminho para te caminhar em mim
e você anda com graça, jamais encontra fim

[adormeço ouvindo sua voz e caio na profunda escuridão
não abro os olhos, sonho.]

E quando acordo não era mais devaneio
você dormia ao meu lado, lindo e sem receio
Como as cordas do violão que tilintavam solene
você era o sonho mais incrível e perene

Eu vi.
Eu sorri.
Mais eu quis.
E assim o Universo disse...
Tereis.



Será?









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5 de dezembro de 2017

Sub

Eu estava parada no metrô, caminhava lento. Os trilhos sujos e marcados pelo tempo. A passarela cheia de marcas, de passadas de pessoas passadas. O relógio marcava três da tarde. Meu coração marcava saudade.

Entrei. Sentei. Os minutos passaram. Cheguei em casa horas depois.

Conversamos. Sorrimos.
Falamos. Felizes parecíamos. Somos?

Sua risada me contagiou.
E então, antes de cair sob a água morna do chuveiro, saímos.
Mas na volta a natureza cedeu e as nuvens despencaram. A água fria nos banhou.

Mas pelo demônio fui carregada. E enquanto ele corria eu via... a água que caía. 
E aquele momento foi eternizado em minha solene memória.
Como as marcas que me deixa não de forma nem tão simplória.
Foi um átimo de segundo, o bastante para aquecer meu espírito.
A dor que me aflige todos os dias é dissipada por sua máquina.
No colo do demônio desejei adormecer.
Todavia, cabia somente a ele querer.

E eu carrego a sina de amar o nostálgico, de ceder aos possíveis "e se", e de chorar à noite por aqueles que nem estão aqui. Sob um manto sépia meus olhos marejados pela sua dor e agora pelo meu mais puro amor, eu desfaleco diante da verdade. Agradeço cada verbo, mas não fui capaz de despertar a saudade. 

Foi apenas um dia. Algo ( você ) que jamais me cansa. Apenas uma lembrança. 




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Joy

faço um exorcismo todos os dias (...) respiro e encaro meus demônios eles me sorriem como a morte e então, vez ou outra me en...