30 de dezembro de 2017

Análogo

É um caminhar solitário. Todos os dias quando abro os olhos e fito a claridade que o sol dispõe sob  minha janela que dormiu aberta. E então, em um esforço desnecessário, mas rotineiro consigo forçar meu corpo a sair desse objeto que tanto amo,  mas não devido àquele sentimento que muitos jovens ousam "sentir" ... prostração.

Sinto um pulsar mais forte em meu peito, mas sei que não é o órgão responsável por enviar fluídos pútridos ao restante de meu envoltório sem valor. Logo, penso. Chegou a hora? Já estava demorando demais, no entanto, a dor que senti abaixo dessa "tosca caixa toráxica" cessa. E então lamento, pois será mais um dia, uma semana, um mês que terei de encontrar formas de colocar nesse rosto manchado de agonias passadas, cansado de rituais frívolos, e desmerecedor de tantos olhares fingidos... uma expressão amábile.

Cansei de tentar justificar, explicar aos desprovidos da capacidade de entendimento de tal desgosto o que se passar nesse meu cérebro danificado. Deteriorado ele está, assim como meu espírito... se é que tenho um. Afinal, demônios choram. 

Encontro acalento em poucas coisas. Alguns pedaços de papel dispostos juntos, formando um retângulo perfeito, neles há vários vocábulos que são aptos a me levarem para um universo diferenciado desse ao qual somos obrigados a viver. Minha mente se desprende de meus putrefatos e sem significado restos mortais e vaga por esses inúmeros mundos. 

Jamais idônea. Jamais suficiente. Nunca diferente. 

O análogo cansa. 

E eu sigo cansada. 






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