25 de dezembro de 2017

Odin

Ethan caminhava solitário pelas ruas da iluminada Nova York naquela simplória quarta-feira de março.
Suas costas largas pareciam querer rasgar a camiseta de linho vermelha que trajava, e seus cabelos loiros formavam uma trança a partir do topo da cabeça até abaixo dos ombros. O vento batia em seu rosto e fazia com que alguns poucos fios soltos na frente se tremelezissem diante das numerosas luzes da cidade que jamais dormia.
Com as mãos no bolso, sentiu em um deles o celular vibrar. Temeu ser quem não devia, portanto, não se importou em atender ou chegar recados. A noite estava perto de se tornar madrugada e poucas pessoas ainda se encontravam na rua. Ethan precisava chegar em casa, mas ainda faltavam pelo menos duas quadras. A Times Square pareceu um bom lugar para passar a noite, visto que ele evitaria um de seus colegas de apartamento que nos últimos dias só fez falar em sua cabeça acerca de suas compras, vendas e consumo "nem tão legais" assim.
Mas naquela noite Ethan não poderia dormir fora de casa. Não era uma simples quarta-feira de março. Era a quarta-feia, noite de Lua Vermelha. E antes que suponha qualquer coisa Ethan não se transformaria em um lobo sanguinário disposto a matar tudo e todos, um lobisomem. O problema de Ethan era levemente pior. Pois ele não dependeria de lua alguma para enfrentar o que temia: seu antigo mestre na arte da magia negra.
Finalmente estava em casa e ao colocar a chave na fechadura da porta sentiu algo que não sentia há anos. Uma presença. Algo sombrio. Não soube dizer o que era. Não seria capaz de descrever a presença que sentira ao colocar a mão na maçaneta. Paul estava em casa, pelo menos era o que havia lhe dito algumas horas mais cedo, no entanto, ao adentrar na casa Ethan teve a certeza de que apesar de não estar sozinho não era com Paul que ele estava.
- Mostre-se. - disse Ethan com um tom de voz ameno, mas firme. Após acender as luzes da sala de estar. Todavia, ele não obteve resposta nenhuma. - MOSTRE-SE!
Ethan sabia que algo estava na casa. Uma presença maligna. Ele sabia disso, mas não sabia como enxergar, nem como fazer seja lá o que for que estava na casa aparecer. Até que...
- Ethan. - uma voz de tom muito grave surgiu dos fundos da casa, de onde não havia luz alguma. Ethan virou-se de súbito para a direção de onde o som provinha. - Ethan! - a voz pareceu chamar por Ethan novamente, mas com mais força e querendo que Ethan olhasse para ela, mas como ele enxergaria algo naquele breu?
- Quem é você? Mostre-se! - ordenou Ethan dando alguns passos à frente, mas sem adentrar na escuridão de sua própria casa.
- Você foi convocado, Ethan Crawford. E você deve aceitar a missão.
- Como eu posso aceitar uma missão que nem sei o que devo fazer?
- É seu destino.
- Cara, estou falando com uma voz invísivel, não foi aceitar porra nenhuma! - exclamou Ethan já perdendo a paciência.
- Ethan Crawford, sua missão consiste em tirar a vida de um ser em especial.
Ethan não estava entendendo nada, e mesmo sem arma ou poder algum decidiu se aproximar de onde a voz parecia surgir. Seu quarto.
- Então quer que eu me torne um assassino?
- Não finja ser o que não é, já tirou vidas antes. - disse a voz com um tom sarcástico.
- Isso foi diferente. - disse Ethan virando-se na direção oposto à voz.
- Você deve aceitar a missão.
- Mas que missão é essa? - esbravejou Ethan, uma vez que ficou irritado com a voz.
- Você precisa derrotar uma grande entidade chamada Skuld. Ela é uma antiga descentende da primeira Valkíquira Brünhild e nos últimos dias se mostrou uma ameça para todos.
- Que tipo de ameaça?
- Isso não é de seu interesse, Ethan. Apenas aceite a missão e não sofrerá mal algum.
- Por que eu?
- Você, Ethan Crawford, é um semideus. Você é filho do grande deus Odin.














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