5 de dezembro de 2017

Sub

Eu estava parada no metrô, caminhava lento. Os trilhos sujos e marcados pelo tempo. A passarela cheia de marcas, de passadas de pessoas passadas. O relógio marcava três da tarde. Meu coração marcava saudade.

Entrei. Sentei. Os minutos passaram. Cheguei em casa horas depois.

Conversamos. Sorrimos.
Falamos. Felizes parecíamos. Somos?

Sua risada me contagiou.

E então, antes de cair sob a água morna do chuveiro, saímos.
Mas na volta a natureza cedeu e as nuvens despencaram. A água fria nos banhou.

Mas pelo demônio fui carregada. E enquanto ele corria eu via... a água que caía. 
E aquele momento foi eternizado em minha solene memória.
Como as marcas que me deixa não de forma nem tão simplória.
Foi um átimo de segundo, o bastante para aquecer meu espírito.
A dor que me aflige todos os dias é dissipada por sua máquina.
No colo do demônio desejei adormecer.
Todavia, cabia somente a ele querer.

E eu carrego a sina de amar o nostálgico, de ceder aos possíveis "e se", e de chorar à noite por aqueles que nem estão aqui. Sob um manto sépia meus olhos marejados pela sua dor e agora pelo meu mais puro amor, eu desfaleco diante da verdade. Agradeço cada verbo, mas não fui capaz de despertar a saudade. 

Foi apenas um dia. Algo ( você ) que jamais me cansa. Apenas uma lembrança. 




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