12 de março de 2018

Desalinho

e eu sigo em desalinho
sem nunca ter feito caminho
pelas estradas do seu coração
eu ouvi sim quando me disse não

" o mistério da dor que a traz penada"
minha veste toda desgrenhada
meu rosto todo manchado e caído
como meu desmazelado espírito

se você nunca foi usado e jogado fora
não venha me consolar, não agora
costumava aceitar minha sina de ser verme
mas parece que nem isso me apetece

abaixo da cadeia alimentar estou
desprovida de forças e de valor
nunca tive de fato
eu estava ali para tapar o seu buraco

queria ao menos ao verme descarrado servir de alimento
mas temo que ele não deseja nem meu corpo sem sustento
não me fale de futuro nem de passado
salve-me desse presente torturado

eu me fechei por tanto tempo e você me pediu para entrar
o que mais me fere é que eu devia saber, que você não era real
será que foi tudo uma grande ilusão de minha mente fatal?

nunca em sã consciência você haveria de querer a mim
eu já sabia de tudo, já sabia como seria o nosso fim
mas você me pediu para ficar e eu fiquei, tentei
até o momento que você foi embora, e eu chorei

" E hoje, para guardar a mágoa oculta"
tento lhe odiar sem conseguir
tento me querer sem prosseguir
me rendo à morte da alma estulta

Não quero dizer que você foi minha felicidade
mas quando me disse que ficaria ela cresceu
e agora sozinha estou, usada e esquecida, no breu
eu já devia saber que pertenço à iniquidade

a vida não é benção, é maldição
não há nada em seu coração
no meu há angústia e dor
enquanto que você segue sem pudor
eu fico sem amor

e minhas rimas não são o bastante 
para descrever minha agonia pulsante
preciso socar paredes e destruir um muro
mas contento-me com um lápis e um livro sujo

acordo e vejo meu espírito prostrado no chão
com pedaços de carne morta e muito sangue, então
deveras estava ali por muito tempo
mas não perdi o meu levantando  corpo sem acalento

quando me encaro no espelho vejo o monstro que sou
quando encaro meu teto vejo que nada restou
quando me encaro nos sonhos vejo luz
mas então acordo e mesmo dia a escuridão me traduz

a incapacidade de enxergar que nada valho
a falta de vontade em aceitar meu velho fardo
a insistência em caminhar um dia a mais sorrindo
é o que me quebra todos os dias que em vou indo

se tivesse algum valor nessa alma deteriorada
as pessoas ficariam, não me usariam de escapada
mas creio que no fundo elas sabem, ao me fitar
que o demônio não vive no Inferno
Mas na Terra gosta de habitar

despeço-me de vocês, mais uma vez, com versos soturnos

"me pediram para falar de amor"
mas de amor não falarei
Falo apenas sobre dor
Pois é sobre dor somente o que sei"







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