16 de abril de 2018

Joy


faço um exorcismo todos os dias
(...)

respiro e encaro meus demônios
eles me sorriem como a morte
e então, vez ou outra me entrego
deixo com eles minha sorte

no dia seguinte sou forçada a tentar novamente
não me permitem o descanso solitário e eterno
pois precisam de meu casco cansado e velho
me pede a clemência, mas não pode ser clemente?

[cada decisão de meu cansado espírito 
cada passo que minhas estafadas pernas
dão
eu sinto que caio
direto no
chão
mas não...]

ainda estou de pé, forçando uma meta
não há objetivo nisso
não há sentido vivo
ainda estou de pé, caminhando em linha reta

" mas essas alegrias violentas têm fins violentos, como fogo e pólvora que num beijo se consomem"

não ouso mais falar de amor
não falarei de paixão e dor
e tão pouco irei dissertar
sobre o bom gosto de quase amar

são coisas que não existem
nosso ego nos engana
e nossa mente nos encanta

erra esse meu medo, eu já devia saber que aquele estado não iria durar
que ele se fosse de minha vida como todos os outros a me abandonar
somente ficam aqueles que foram destinados a ficar

***

Prosa.

Sinto que não ficam por escolha, de alguma forma são forçados a não partir. E então, ficam. Supostamente deveria ser algo bom, mas não é, visto que junto dessa decisão eles me forçam a sorrir sorrisos que não são meus. É um fracasso intríseco a mim mesma.  Diário. Ainda é meio-dia e encontro-me sozinho em meu quarto chorando lágrimas que não deveriam ser choradas. A dependência que achei ter livrado meu desgastado corpo... encarei-a ainda pouco. Quanto desgosto você pode causar e ainda ter gosto? 

São metas postas para enganar os ingleses. Esses que nunca irei ver de perto. Como todos os meus sonhos, um dia na inocente infância, sonhados.

" Quando minha hora chegar, mantenha-me em sua memória... razões para ser lembrado... Guarde todo o resto. "

Não sei como proceder com esse texto... Assim como eu e como todos os outros... ele nada vale, fiquem então com tudo isso. Esse tudo que é nada.


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13 de abril de 2018

Magik

Ela é livro
"do rodapé
ao sorriso"
é escrita e página
de corpo inteiro
e alma
ela é palavras
dos poemas às
mágicas
Mágicas que aprendeu
com os livros
e depois fez magia
com seus próprios escritos

13.04.18
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2 de abril de 2018

Paráfrase do poema A Louca de Augusto dos Anjos

"Quando ela passa: -- a veste desgrenhada,
O cabelo revolto em desalinho,
No seu olhar feroz eu adivinho
O mistério da dor que a traz penada.


Moça, tão moça e já desventurada;
Da desdita ferida pelo espinho,
Vai morta em vida assim pelo caminho,
No sudário da mágoa sepultada.


Eu sei a sua história. -- Em seu passado
Houve um drama d’amor misterioso
-- O segredo d’um peito torturado --


Não chora, sorri... ela é mulher por todos desejada
E hoje, para guardar a mágoa oculta,
Canta, soluça -- o coração saudoso,
Chora, gargalha, a desgraçada estulta."


***


Quando ela passa: a veste bem arrumada
o Cabelo negro e longo jamais desarrumado
No seu olhar de mistério busco um ser amado
mas não há, pois ela ama sua própria alma penada


Moça, tão jovem e já sensual, bela e irresistente 
da destida ferida do antigo amor
vai mais viva em morte pelo caminho da dor
Mas se ergue uma vez que deseja o prazer latente


Nós sabemos sua história - seu passado
houve um amor, e um coração despedaçado
não é segredo que seu desejo está acabado

E hoje, para revelar o desejo oculto
Geme, e grita - o corpo desenhado e astuto
[ a alma revigorada, sua beleza idolatrada]
Não chora, sorri... ela é mulher por todas desejada
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Joy

faço um exorcismo todos os dias (...) respiro e encaro meus demônios eles me sorriem como a morte e então, vez ou outra me en...