2 de abril de 2018

Paráfrase do poema A Louca de Augusto dos Anjos

"Quando ela passa: -- a veste desgrenhada,
O cabelo revolto em desalinho,
No seu olhar feroz eu adivinho
O mistério da dor que a traz penada.


Moça, tão moça e já desventurada;
Da desdita ferida pelo espinho,
Vai morta em vida assim pelo caminho,
No sudário da mágoa sepultada.


Eu sei a sua história. -- Em seu passado
Houve um drama d’amor misterioso
-- O segredo d’um peito torturado --


Não chora, sorri... ela é mulher por todos desejada
E hoje, para guardar a mágoa oculta,
Canta, soluça -- o coração saudoso,
Chora, gargalha, a desgraçada estulta."


***



Quando ela passa: a veste bem arrumada
o Cabelo negro e longo jamais desarrumado
No seu olhar de mistério busco um ser amado
mas não há, pois ela ama sua própria alma penada


Moça, tão jovem e já sensual, bela e irresistente 
da destida ferida do antigo amor
vai mais viva em morte pelo caminho da dor
Mas se ergue uma vez que deseja o prazer latente


Nós sabemos sua história - seu passado
houve um amor, e um coração despedaçado
não é segredo que seu desejo está acabado

E hoje, para revelar o desejo oculto
Geme, e grita - o corpo desenhado e astuto
[ a alma revigorada, sua beleza idolatrada]
Não chora, sorri... ela é mulher por todas desejada

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