12 de outubro de 2018

Odin - Parte II

- Como assim filho de Odin, voz maluca? Primeiro que se deuses existissem todo mundo sabe que os nórdicos não tinham fihos com humanos.

- Não discuta. Apenas aceite seu destino.

- Não tem essa de destino. Meu pai abandonou minha mãe e eu quando eu era criança. Ela nos criou sozinha.

- Essa é a história que lhe foi contada, Ethan Crawford, mas você de fato é um semideus nórdico, filho do grande Deus Odin e está destinado a colocar um fim à vida de Skuld e assim impedindo que seu objetivo maligno de exterminação da raça humana se concretize.

- Eu já disse que não vou matar ninguém. Ainda mais uma entidade que deve ser mega poderosa.

- Mas você também é, meu caro.

- Olha, eu faço isso ou aquilo. Me viro. Dou meu jeito. Mas não possuo poder algum.

- Ethan, não tenho mais tempo para qualquer explicação. A missão foi dada e você será chamado cedo ou tarde para cumpri-la. Você não tem escolha. Agora, adeus.

- Some, sua voz doida! - esbravejou Ethan com raiva.





***

No dia seguinte Ethan acordou cansado, como se tivesse treinado muito ou trabalhado demais, mas não havia feito nenhuma das duas coisas. Fez alguns alongamentos, tomou seu café sem açúcar e partiu para correr como fazia todos os dias às sete da manhã. Com seus fones de ouvido e celular no bolso, quando corria não pensava em mais nada. Mas dessa vez ele tinha algo muito fora do comum para pensar. Se ele fosse mesmo filho de Odin quais outras obrigações teria além da suposta missão dada por uma voz que parecia vir do submundo das trevas? Seus pensamentos voaram longe nessa questão.

De qualquer forma, seus pensamentos foram forçados a se voltarem para os meninos que moravam com ele. Não vira nenhum nem outro na noite passada. Não se importou. No momento tinha coisas mais importantes para se preocupar, como por exemplo, ser supostamente filho do maior deus nórdico, Odin.

Era estranho, pois nunca se soube de filhos dos deuses nórdicos com humanos. Havia uma lei que impedia isso, de acordo com a mitologia nórdica. Mas se a suposta voz estivesse, de fato, certa então Ethan seria um poderoso semi-deus com uma missão quase impossível: matar uma espécie de semideusa, Skuld - a descendente da primeira Valkíria.


Ethan admitia que coisas estranhas aconteciam com ele, em sua vida. Ele supostamente era mais forte do que deveria, até mesmo para um jovem de 24 anos amante de academia. Várias foram as vezes que sua força foi posta à prova. Além disso, Ethan trabalha como garçom porque queria, pois era inteligente demais para não focar em uma faculdade, quer dizer, mais de uma. Sim, ele possuía duas graduações antes dos 25. Segundo ele, gostava de ouvir os desabafos das pessoas e como garçom ele tinha passe livre para qualquer bebida. E isso era motivo o bastante para mantê-lo no emprego.


A noite chegara e com ela o expediente de Ethan no bar Chateu. Às oito da noite ele já trajava seu uniforme e estava limpando algumas mesas. Aos poucos, as pessoas começaram a chegar e se sentar. Outras ficavam em pé no balcão, e poucas dançando na pista. A música hora mais agitada hora mais lenta. Ethan serviu dois casais e um grupo de amigos, e então não tendo mais a quem atender recostou-se no balcão e pediu uma dose de Whisky a seu parcero de trabalho John que sorriu, mas sabia da competência de Ethan e logo entregou-lhe um copo com a bebida.


Ethan acenou com a cabeça um obrigado e bebericou seu Jack Daniel's até que seus olhos fitaram uma pessoa que havia acabado de adentrar o bar. Estava sozinha. Uma bela moça de cabelos negros e longos, alguns rabiscos no braços e pernas, e um olhar sério e um tanto sombrio no rosto levemente pintado de maquiagem. Vestia um curto vestido preto de couro que davam forma a seu corpo desenhado. Ela olhou o bar por poucos segundos até se dirigir ao balcão, cerca de 20 metros de Ethan.


Ele não conseguiu tirar os olhos dela, pois parecia ser a mulher mais linda que já vira na vida. E então, usando a desculpa de que precisava atendê-la, deixou seu copo no balcão e foi em direção à moça.


- Pois não, minha senhora.


- Por favor. Senhora?

- Quer dizer, moça.

- Melhor. - disse a mulher, sorrindo. - Por favor, uma dose da seu melhor whisky.

Ethan sorriu e disse:

- Raro encontrar uma mulher tão decidida a beber tal coisa.

- Eu sei, não é? Mas acho melhor começar por ela antes de partir para algo como martini ou algo assim.

- Como nunca te vi aqui?

- É a primeira vez que venho neste bar.

- Tá explicado. - disse Ethan. - Um estante e volto com sua bebida, moça.

- Qual o seu nome? - perguntou ela, antes que Ethan se virasse.

- É Ethan, e o seu?

- Kayla.

- Diferente. - disse Ethan sorrindo apenas com os lábios. - Já volto, Kayla.

Ethan voltou cerca de cinco minutos depois e viu Kayla guardar na bolsa o celular. Provavelmente deveria estar falando com alguém.


- Aqui está, Kayla. Seu Jack.


Kayla cheirou a bebida com os olhos fechados e sorriu quando os abriu pouco antes de bebericar um quase gole. Engoliu. Olhou para Ethan que sorria, apreciava a visão daquela maravilhosa jovem morena com os cabelos longos até a cintura, os lábios vermelhos e os olhos penetrantes... O álcool perpetuava em seu corpo, ela exalava paixão e desejo e quem sabe algo mais.

- Olha... eu saio em meia-hora. Gostaria de tomar outro whisky depois?


- Hum... Decidido ele. Mas sim. - respondeu Kayla.

- Então combinao, moça.





Passados os trinta minutos Ethan estava de volta trajando não mais o avental de garçom.

- Bem melhor, garçom. - disse Kayla.

- Concordo, moça. Então vamos? - disse ele mostrando na mão a garrafa de whisky da Dalmore.

- Esse nunca bebi.

- Pois não irá querer outro. Então, para onde vamos?

- Pra minha casa.- disse Kayla se levantando do pequeno banco, colocando a pequena bolsa de lado na cintura e puxando Ethan para acompanha-la com os braços entrelaçados. Caminharam em silêncio até chegar no carro de Kayla, um volvo preto que estava parado na rua seguinte. Ethan entrou sem falar nada até que Kayla começou a dirigir e Ethan disse:

- E onde a moça mora?

- Em Valhala, Ethan Crawford. - sussurrou, mas Ethan ouviu e quando fitou nos olhos de Kayla eles brilhavam de uma forma não humana, era como se ela tivesse fogo dentro deles e então Ethan soube em seu âmago que estava de frente com Skuld a descentende semideusa da primeira Valkíria.










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